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A Bíblia – O Livro dos Livros

Por que a Bíblia, como um livro, é tão diferente dos outros?

A Bíblia é diferente de todos os outros livros pelo fato de conter as origens da criação, as alianças de Deus com os homens, a história de Israel e da Igreja Apostólica, as profecias reveladoras do futuro, bem como por revelar o insondável amor de Deus na pessoa de Jesus Cristo como o Salvador do mundo. Portanto, a Bíblia Sagrada poderia ser definida como uma só frase – Ela é a Palavra de Deus.

Como Palavra de Deus, ela não contém erro de qualquer espécie. Um exemplo – Em 1865, críticos da Bíblia relacionaram “50 erros científicos” encontrados nela. Vinte anos mais tarde, nenhum daqueles supostos erros ficou confirmado.

Vale a pena ouvir o que algumas pessoas célebres falaram acerca da Bíblia.

Cardeal Arcoverde disse: Que regra mais pura e santa, que caminho mais seguro para o homem público, para o político, do que a verdade vinda do céu, pregada e ensinada pela boca de um Deus e registrada no livro do evangelho? Leia-se, pois, medite-se no livro santo do evangelho!.

Ivan Espíndola de Ávila, meu colega da Academia Evangélica de Letras do Brasil, disse: Impressiona-nos, na contemplação do mundo atual, a exatidão das Sagradas Escrituras. Nestes nossos tempos, com a precisão admirável, cumprem-se previsões do velho e bendito livro. Páginas proféticas assumem o sabor de crônicas contemporâneas, em que fatos e feitos, na história e através dos homens, proclamam a veracidade da eterna palavra, que não falhou e nem falhará. Por isso é tempo de voltar à Palavra de Deus. E é isso que a humanidade está fazendo, depois de tantas fugas. Depois de procurar tantos caminhos, onde a frustração lhes foi fatal, os homens retornam ao caminho, ao único e verdadeiro caminho. E, nesse caminho, em sentido de libertação e esperança, brilha a palavra, que é luz e lâmpada de Deus.

Charles Spurgeon, famoso pregador inglês, escreveu: Depois de ter pregado o evangelho por quarenta anos, e de ter impresso os sermões que preguei semanalmente durante trinta e seis anos, tendo estes alcançado o número de 22 mil, creio que devo ter direito a dizer algo sobre a riqueza e plenitude da Bíblia como o livro do pregador. Irmãos, ela é inesgotável. Não haverá perigo de ficarmos secos se nos apegarmos ao texto deste volume sagrado. Não haverá dificuldade em arranjar assuntos totalmente distintos dos já usados; a variedade é tão infinita como a sua plenitude. Uma longa vida mal dá para ladear as margens deste continente de luz. Nos quarenta anos do meu ministério tenho podido apenas tocar a orla das vestes da verdade divina, mas que virtude já fluiu dela! A Palavra é como o seu Autor – infinita, imensurável, eterna. Se fosses ordenado ao ministério por toda a eternidade, terias na mão tema suficiente para as exigências eternas.

Em que Sentido a Bíblia é a Palavra de Deus?

A Bíblia é a Palavra de Deus por ter sido inspirada por Ele. Ao longo de suas páginas afirma-se duas mil e oito vezes que Deus é seu Autor. No Novo Testamento, essa autoria divina é reclamada 225 vezes, cerca de 50 vezes pelo próprio Senhor Jesus.
Sendo a Palavra viva de Deus, é de se esperar que encontremos nela um vínculo que unifique todos os seus livros, apesar de estes terem sido escritos em épocas diferentes e em lugares distintos. Esse vínculo é a apresentação, direta ou indireta, que cada livro bíblico faz da pessoa de Jesus.

Que Tipo de Influência exerce a Bíblia em nossa Sociedade?

Como Palavra de Deus, a Bíblia exerce poderosa e benéfica influência onde quer que é difundida. Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração Hebreus 4.12-13.

Deus mesmo afirma – Assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim vazia Isaías 55.11, e o apóstolo Paulo fala do evangelho como o “poder de Deus” e da transformação gerada por este mesmo evangelho na vida do que o aceita – É nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas 2 Coríntios 5.17.

A Bíblia apresenta a si mesmo como Alimento, Amós 8.11 Eis que vêm dias, diz o Senhor Jeová, em que enviarei fome sobre a terra, não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor, como Fogo, Jeremias 23.29 Não é a minha palavra como fogo, diz o Senhor…, como Luz, Salmos 119.105 Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho, como Leite, 1 Pedro 2.2 desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo, como Mel e como Ouro, Salmos 19.10 Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos, como Espelho, Tiago 1.23-25 23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural; 24 porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era. 25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito, como Martelo, Jeremias 23.29 …como um martelo que esmiúça a penha?, como Espada, Efésios 6.17 Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus e como Semente, 1 Pedro 1.23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.

A Bíblia é um todo e não pode ser alterada. Acrescentar-lhe ou tirar-lhe algo, seria danificar sua perfeição absoluta, Apocalipse 22.18-19 18 Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; 19 e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro. O cânon da Escritura está fechado. Outras obras lançam luz valiosa sobre ela, mas a Bíblia permanece incomparável, única e completa.

Outra razão que torna-a o mais precioso livro do mundo é a sua atualidade. Embora escrita há milênios, sua mensagem é hoje mais atual “do que o jornal que vai circular amanhã“, usando as palavras do evangelista Billy Graham. As outras obras, mesmo as mais famosas, perdem a atualidade porque se prendem unicamente à vida presente. A Bíblia, no entanto, trata tanto desta como da outra vida, abrangendo o presente e o futuro.

Analisando a situação mundial à luz da Bíblia, percebe-se que os ensinos desta, se adotados pelas nações, resolveriam os seus principais problemas. Eis alguns problemas:

Provérbios 22.6 Ordena aos pais que instruam os filhos no caminho reto, Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele.

Romanos 13.6-7 Ensina aos industriais e comerciantes a pagarem devidamente as taxas impostas pela lei, 6 Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. 7 Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

I Timóteo 6.1 Ordena que os empregados trabalhem honestamente Todos os servos que estão debaixo do jugo estimem a seus senhores por dignos de toda a honra, para que o nome de Deus e a doutrina não sejam blasfemados.

Romanos 13.1-5 Ordena ao povo em geral que ore pelos governantes e obedeça às autoridades 1 Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. 2 Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. 3 Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela. 4 Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal. 5 Portanto, é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência.

I Timóteo 2.1-3 Ensina que todos devemos colaborar com o Governo, orando por ele, para que Deus lhe dê uma administração sábia e segura. Tanto este texto como o de Romanos 13.1-5 parte do princípio de que as autoridades, como ministros de Deus, devem ser justas, que castigam os maus e louvam os bons 1 Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, 2 pelos reis e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. 3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador.

Estas passagens da Bíblia, se postas em prática, modificariam completamente a situação do mundo, eliminando a corrupção e as injustiças sociais.

Qual o Significado da Palavra “Bíblia”?

A palavra bíblia, como plural de biblion, que no grego significa “livro“, sugere a ideia de livros ou biblioteca. Jerônimo usou a apropriada expressão “biblioteca divina” para as Escrituras. A Bíblia é composta de uma coleção de 66 livros, sendo 39 no Antigo e 27 no Novo Testamento.

Para redigir a sua Palavra, Deus inspirou mais de 40 autores, dentre eles os Estadistas Josué e Daniel, o Legislador Moisés, o Poeta Davi, o Sábio Salomão, os Profetas Isaías e Jeremias, o Médico Lucas, o Filósofo Paulo, o Coletor de impostos Mateus, e os Pescadores Pedro, Tiago e João. Estes e muitos outros gastaram, ao todo, dezesseis séculos na redação da Bíblia, começando por volta de 1500 AC e terminando no final do primeiro século da nossa era.

A Bíblia divide-se em duas grandes partes – Antigo Testamento e Novo Testamento. O primeiro foi escrito originalmente na língua hebraica, com algumas passagens em aramaico, e se completou cerca de 434 A.C. O Novo Testamento foi escrito no grego popular, o koinê, contendo também algumas frases em aramaico. Teve o seu surgimento entre os anos 53 e 96 DC, portanto, entre o último livro do Antigo Testamento e o primeiro do Novo Testamento, há um lastro de quase quinhentos anos, no qual se insere um período de tempo chamado Inter bíblico, em que surgiram os principais livros apócrifos, ou seja, não inspirados por Deus.

Acredita-se que foram os escribas Esdras e Neemias que, por volta de 480 AC na grande reforma religiosa daquela época, agruparam os livros do Antigo Testamento na forma como hoje se encontram na Bíblia. Até aquela data, os livros sagrados dos judeus permaneciam separados uns dos outros.

Esses livros agrupados receberam o nome de Texto Massorético (a Massora, corpo de tradições), o único reconhecido pelos judeus como verdadeiro e digno de toda confiança. Nesse texto, ou nas cópias dele, baseiam-se as Bíblias modernas.

Não havendo imprensa de qualquer espécie no período em que foram escritos, todos os livros bíblicos foram redigidos à mão e divulgados por meio de cópias manuais. Os copiadores, chamados escribas, copistas ou massoretas, tinham tal respeito pelo texto sagrado e tão grande cuidado em não alterá-lo que, antes de iniciarem a cópia de qualquer parte da Bíblia, contavam o número de palavras e letras nelas contidas. Dessa forma, esses homens sabiam o número exato das palavras e letras de cada um dos trinta e nove livros do Antigo Testamento. Sabiam também quantas vezes ocorria cada letra.

Os copistas não admitiam rasuras de espécie alguma. Se, depois de pronta uma cópia, fosse constatada nela algum erro, mesmo o mais simples, tal cópia era totalmente destruída.

Apesar das épocas remotas em que foram copiados os livros bíblicos, a arte da escrita já havia alcançado significativo progresso, principalmente quanto à qualidade da tinta – uma mistura de carvão com um líquido desconhecido, capaz de conservar-se maravilhosamente durante muitos séculos.

Quais Foram as Primeiras Traduções da Bíblia?

Como consequência dos setenta anos de cativeiro na Babilônia, e em virtude da forte influência do aramaico, a língua hebraica se enfraqueceu. Todavia, os fiéis à tradição de preservar os oráculos em sua própria língua, os judeus não permitiam, ainda, que fossem esses livros sagrados vertidos para outro idioma. Alguns séculos depois mais tarde, porém, essa atitude exclusivista e ortodoxa teria que dar lugar a um senso mais prático e liberal. Com o estabelecimento do império de Alexandre o Grande, a partir de 331 AC, o grego popularizou-se a ponto de tornar imprescindível uma tradução da Sagrada Escritura para essa língua.

Segundo o escritor Aresteas, a tradução grega foi feita por setenta e dois sábios judeus (daí o seu nome Septuaginta), na cidade de Alexandria, a partir de 285 AC, a pedido de Demétrio Falário, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo. Terminada trinta e nove anos mais tarde, essa versão assinalou o começo de uma grande obra que, além de preparar o mundo para o advento de Cristo, deveria tornar conhecida de todos os povos a Palavra de Deus. Na igreja primitiva, era essa versão conhecida de todos os crentes.

Nem todos os livros do Antigo Testamento, infelizmente, foram bem traduzidos da “Septuagina”, razão pela qual Orígenes, por volta de 228 DC, compôs a Hexapla, ou versão de seis colunas, contendo a versão grega dos Setenta e as três traduções gregas do Antigo Testamento efetuadas por Áquila do Ponto, Teodoro de Éfeso e Simaco de Samaria. Estas Três últimas foram realizadas, respectivamente, em 130, 160 e 218 DC. Além destas constavam nas duas últimas colunas o texto hebraico e o mesmo texto em grego. Esta grandiosa obra, constituída de cinquenta volumes, perdeu-se provavelmente quando os sarracenos saquearam Cesaréia em 653 DC.

Em 382 DC, o bispo Dâmasco encarregou Jerônimo de traduzir da Septuaginta para o latim o livro dos Salmos e o Novo Testamento, o que ele fez em três anos e meio. Mais tarde, um novo bispo assumia a direção da Igreja em Roma e percebia, com inveja, a grande cultura e influência de Jerônimo. Este, perseguido e humilhado, se dirige a Belém, na Terra Santa, e ali estuda e trabalha durante trinta e quatro anos na tradução de toda a Bíblia para a língua latina. Jerônimo escreveu ainda vinte e quatro livros de comentários bíblicos, um conjunto de biografias de eremitas, duas histórias da igreja primitiva e diversos tratados.

Mais tarde, a Bíblia de Jerônimo ficou conhecida como Vulgata (vulgar), e foi a base de todas as traduções durante os mil anos seguintes. No Concílio de Trento (1545-1547), a igreja católica proclamou a Vulgata como a autêntica versão das Escrituras em latim, e pronunciou um anátema “sobre qualquer pessoa que afirmasse que qualquer livro que nela se achava não fosse totalmente inspirado em toda a parte“.

Discordando da posição do concílio tridentino, muitos eruditos modernos acham a Vulgata uma tradução pobre, com algumas falhas graves.

O que vem a ser os Códices e Manuscritos Bíblicos?

A partir do quarto século depois de Cristo, os livros cristãos passaram a ser escritos em códice, do latim códice, palavra derivada de caudex, que era uma tabuinha coberta de cera, na qual se escrevia com um estilete metálico denominado stylus.

O códice era a “forma característica do manuscrito em pergaminho, e assim denominada por oposição à forma do rolo” (Aurélio). Reunidos por um cordão que passava por orifícios feitos no alto dos exemplares, à esquerda, os códices ficavam em forma de livro, portanto bem mais práticos de serem manuseados que os antigos rolos.

Os mais importantes códices são:

  • O Sinaíticus: Produzido cerca de 325 DC, contém todo o Antigo Testamento grego, além das epístolas de Barnabé e parte do Pastor de Hermas. Foi encontrado pelo sábio alemão Constantino Tischendorf, em 1844, no mosteiro de Santa Catarina, situado na encosta do Sinai. Tischendorf viu 129 páginas do manuscrito numa cesta de papel, para serem lançadas no fogo. Percebendo o seu enorme valor, levou-as para a Europa. Em 1859 voltou ao mosteiro e encontrou as páginas restantes. Doada pelo seu descobridor a Alexandre II, da Rússia, essa preciosidade foi posteriormente comprada pela Inglaterra pela vultosa quantia de cem mil libras esterlinas. Está no Museu Britânico desde 1933.
  • O Alexandrino: De meados do quarto século DC, contém o Antigo Testamento grego e quase todo o Novo, com omissões de 24 capítulos de Mateus, cerca de quatro de João e oito da Segunda Carta aos Coríntios. Contém ainda a Primeira Epístola de Clemente de Roma e parte da Segunda. Está no Museu Britânico.
  • O Vaticano: Do quarto século DC, contém o Antigo e o Novo Testamento com omissões. Está na Biblioteca do Vaticano.
  • O Efraemi: Produzido por volta de 450 DC, acha-se na Biblioteca Nacional de Paris.
  • O Baza: Encontrado por Teodoro Baza no mosteiro de Santo Irineu, na França, em 1581, está vinculado ao quinto século DC, e encontra-se atualmente na Biblioteca de Cambridge, Inglaterra.
  • O Washington: Produzido nos séculos quarto e quinto DC, acha-se no museu Freer, na capital dos EUA.

Há, ainda, vários outros códices de menor importância, expostos em museus e bibliotecas de várias partes do mundo. Somente de livros do Novo Testamento, completos ou em fragmentos, conhecem-se hoje 156.

Em se tratando de manuscritos em rolos, o mais antigo e o mais importante de todos foi encontrado casualmente em 1947 por um beduíno, numa bem dissimulada gruta, nas proximidades de Jericó, junto ao Mar Morto. Examinado pelo professor Sukenik, da Universidade Hebraica de Jerusalém, revelou-se pertencer ao terceiro século antes de Cristo. Contém o livro completo de Isaías e comentários de Habacuque, além de outras importantes informações sobre a época em que foi escondido. É mais conhecido como – Os Rolos do Mar Morto.

Quais e o que são os chamados Livros Históricos da Bíblia?

Os hebreus denominavam de Primeiros Profetas os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, considerando-os, porém, como quatro. Eles contrastam esses livros com os últimos Profetas, que eram Isaías, Jeremias, Ezequiel e os Doze Profetas Menores, também considerados como quatro livros.

Os termos primeiros e últimos não se referem necessariamente à sua cronologia histórica, mas ao primeiro e segundo grupo de livros. Os primeiros fornecem o cenário histórico aos últimos.

A designação desses livros históricos como “profetas” enfatiza o fato de que apresentam uma história religiosa ou com um objetivo religioso. Os primeiros profetas são históricos; os últimos, exortativos.

É interessante observar que Jesus, na parábola dos lavradores maus, que vem a ser a história resumida de Israel, menciona que o proprietário da vinha enviou seus servos em dois grupos, os primeiros e os últimos. Afirma a Bíblia que os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo estas parábolas entenderam que era a respeito deles que Jesus falava Mateus 21.45.

A denominação de históricos classifica em geral os doze livros de Josué a Ester. Diferem dos livros de Moisés, os quais também são históricos quanto à ênfase fundamental.

O Pentateuco traça a história redentora desde a criação até a morte de Moisés, mas dá destaque à aliança e aos alicerces legislativos de Israel. Os livros históricos, por outro lado, dramatizam o movimento histórico da nação durante toda a sua história na Palestina. Embora contenham temas religiosos e interlúdios exortativos (vários ciclos de juízes e profetas), a investida maior é no desenvolvimento histórico de Israel.

Sua autoria – Todos os doze livros históricos são anônimos, em contraste com os últimos profetas, todos identificados. Foram visivelmente escritos ou compilados por vários indivíduos que possuíam o dom profético.

Quatro desses são geralmente considerados como tendo como autores principais – Josué, Samuel, Jeremias e Esdras. Este último com o auxílio editorial do sumo sacerdote Eleazar, além dos profetas Natã e Gade.

É evidente que Jeremias foi auxiliado na compilação de Reis pelo seu secretário, Baruque. Na maioria dos casos, foram aproveitados nesses livros vários documentos e crônicas, usados sob a orientação do Espírito Santo pelos autores ou compiladores.

Movimento Histórico – Estes livros registram a história de Israel desde a ocupação da Palestina sob a liderança de Josué, passando pelas apostasias que levaram o povo a ser expulso pelos assírios e babilônios, até a restauração parcial pelos persas. O período cobre cerca de 1000 anos, de 1405 até 425 AC.

Estes livros dão a estrutura histórica ao restante do Antigo Testamento até a época de Neemias e Malaquias. Vão de Moisés, o Legislador, até Esdras, Mestre da Lei. As palavras finais de Moisés, em Deuteronômio 20 a 30, constituem uma introdução excelente aos livros históricos. Ou, digamos, os livros demonstram exatamente o que Moisés disse naqueles capítulos sobre o que seria feito pelo Senhor no caso de serem ou não obedientes.

Estrutura da Bíblia: Origem e Forma

A Bíblia possui uma estrutura singular. Dividida em dois blocos distintos, Antigo e Novo Testamento, sua origem tem como ponto de partida o fato de ter sido escrita por cerca de quarenta autores diferentes envolvidos nas mais diversificadas tarefas da vida diária (política, serviço militar, serviço publico, sacerdócio, saúde, etc.) e cada um deles, distintamente, agentes de seu próprio momento histórico. Entre estes autores estão eles: Moisés, um Político; Josué, um General; Samuel, um Sacerdote; Neemias, um Copeiro; Mateus, um Coletor de impostos; Lucas, um Médico; Paulo, um Rabino.

Em linhas gerais, a origem dessa estrutura que a Bíblia evidencia, tem na unidade seu elemento diferenciador, uma vez que diante da imensa diversidade de textos que ela engloba (diferentes autores com estilos literários diversos e separados por décadas, séculos e milênios de historia), percebe-se uma concordância plena, uma espécie de “fio de ouro” que percorre suas páginas denunciando a autoria suprema de Deus. Neste sentido, a unidade, conjugada com a diversidade de textos divinamente coordenados, constituem a origem da estrutura da Bíblia. A final de contas não estamos diante de um livro qualquer, mas perante uma obra forjada durante cerca de mil e quinhentos nas e que embora expresse a irrefutável verdade divina, resguarda os traços literários e a capacidade intelectual de seus autores humanos.

A estrutura da Bíblia, na forma como é apresentada: uma sequencia de livros, dos mais diversificados gêneros (lei, história, profecia, poesia, etc.), e que tratam unicamente da salvação dos homens mediante a pessoa de Jesus (esse é o tema central das Sagradas Escrituras), não constitui mera adequação cronológica como todos imaginam. Isto é, a ordem em que a Bíblia se encontra, iniciando com o livro de Gênesis e terminando com o Apocalipse, não seguiu meramente a ordem lógica dos fatos narrados, o inicio (Gênesis) e o fim de todas as coisas (Apocalipse). Isto é uma concepção simplória da verdade por trás da disposição dos livros sagrados na forma como se apresentam.

O oposto deste entendimento mais simples é o fato de que por trás da organização dos livros na sequência em que se encontram se acha um fundamento essencialmente teológico, e não uma mera disposição cronológica, ou seja, a crença em um Messias e no cumprimento das profecias relacionadas a Ele. É em virtude disto que a Bíblia, tal como utilizada pelos cristãos, diverge de forma estrutural da Bíblia utilizada pelos Judeus não que haja um choque de entendimentos a respeito da realidade do Messias prometido e de sua missão de salvamento, Gênesis 3.15 E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar, afinal de contas, tanto os judeus como os cristãos acreditam nisso, mais em relação a identidade desse Messias: para os judeus o Messias ainda não veio; para os cristãos Jesus é o Messias prometido.

É a partir desse entendimento, ou seja, desse ponto de vista teológico, que os livros que compõem a Bíblia Hebraica seguem uma sequência diferente daquela apresentada pela Bíblia Cristã. Portanto quando o assunto é a estrutura das Sagradas Escrituras, é pertinente iniciarmos para efeito de comparação, com informações pertinentes a organização dos livros que compõem a Bíblia Hebraica e, em seguida a composição estrutural da Bíblia Cristã.

A Bíblia Hebraica também conhecida como Tanack, apresenta os mesmos livros que compõem nosso Antigo Testamento. A diferença entre ambas é a ordem em que esses livros aparecem. A hebraica, que segue a divisão citada por Jesus em Lucas 24.44 …convinha que se cumpri-se tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos, dispõe os livros proféticos (Isaias, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Amós, etc.), que falam do Messias, no meio da Bíblia Hebraica (entre a Lei e os Escritos), dizendo com isso que o Messias ainda não veio, que as profecias a Seu respeito ainda não se realizaram. Esta é a razão da ausência dos livros do Novo Testamento na Bíblia Hebraica, afinal de contas Jesus nunca foi aceito como o Messias para os Judeus, João 1.11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam e até a noticia de sua ressurreição, Mateus 28.10 Então, Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão a Galileia e lá me verão; Marcos 16.1-8 1 E, passado o sábado, Maria Madalena, Salomé e Maria, mãe de Tiago, compraram aromas para irem ungi-lo. 2 E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol, 3 e diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro? 4 E, olhando, viram que já a pedra estava revolvida; e era ela muito grande. 5 E, entrando no sepulcro, viram um jovem assentado à direita, vestido de uma roupa comprida e branca; e ficaram espantadas. 6 Porém ele disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. 7 Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse. 8 E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém, porque temiam; Lucas 24.1-12 1 E, no primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado. 2 E acharam a pedra do sepulcro removida. 3 E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. 4 E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois varões com vestes resplandecentes. 5 E, estando elas muito atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhe disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? 6 Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galileia, 7 dizendo: Convém que o Filho do Homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e, ao terceiro dia, ressuscite. 8 E lembraram-se das suas palavras. 9 E, voltando do sepulcro, anunciaram todas essas coisas aos onze e a todos os demais. 10 E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago, e as outras que com elas estavam as que diziam estas coisas aos apóstolos. 11 E as suas palavras lhes pareciam como desvario, e não as creram. 12 Pedro, porém, levantando-se, correu ao sepulcro e, abaixando-se, viu só os lenços ali postos; e retirou-se, admirando consigo aquele caso; João 20.1-10 1 E, no primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro. 2 Correu, pois, e foi a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram. 3 Então, Pedro saiu com o outro discípulo e foram ao sepulcro. 4 E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 5 E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia, não entrou. 6 Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis 7 e que o lenço que tinha estado sobre a sua cabeça não estava com os lençóis, mas enrolado, num lugar à parte. 8 Então, entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu. 9 Porque ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos. 10 Tornaram, pois, os discípulos para casa, foi deturpada pelos lideres religiosos judeus, Mateus 28.11-15 11 E, quando iam, eis que alguns da guarda, chegando à cidade, anunciaram aos príncipes dos sacerdotes todas as coisas que haviam acontecido. 12 E, congregados eles com os anciãos e tomando conselho entre si, deram muito dinheiro aos soldados, ordenando: 13 Dizei: Vieram de noite os seus discípulos e, dormindo nós, o furtaram. 14 E, se isso chegar a ser ouvido pelo governador, nós o persuadiremos e vos poremos em segurança. 15 E eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos. E foi divulgado esse dito entre os judeus, até ao dia de hoje.

A ordem dos Livros obedece ao seguinte padrão:

A Bíblia Cristã

A Bíblia Cristã tal como a conhecemos, é diferente da Hebraica. A diferença está na disposição dos livros que compõem o Antigo Testamento (os mesmos livros contidos na Bíblia Hebraica) e no acréscimo do Novo Testamento. A Bíblia Cristã desloca os livros proféticos do meio para o fim do Antigo Testamento, não é por acaso que, imediatamente a esses livros proféticos temos, os Evangelhos que abrem o Novo Testamento, e ainda que a vida de Cristo constitui o cumprimento das profecias citadas nas páginas do Antigo Testamento.

Vejamos a ordem obedecida por ela:

Conforme tivemos a oportunidade de ver acima, a Bíblia Hebraica, quando comparada a Bíblia Cristã, difere-se em dois pontos fundamentais: A ordem dos livros e a ausência do Novo Testamento. Portanto, a disposição dos livros da Bíblia tal como a conhecemos, não é obra de mera causalidade, mas resultado de um principio teológico bem definido, ou seja, a crença de que Jesus Cristo é o Messias prometido e que, assim sendo, a disposição dos textos sagrados deve ser ordenada a partir dessa premissa. Afinal de contas, Cristo é o personagem central das profecias e Nele, e para Ele, convergem todas as coisas.

Fonte: Universidade da Bíblia ( www.universidadedabiblia.com.br )

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