Feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor

ANO 451 – Os Acontecimentos Importantes da História do Cristianismo

O Concilio de Calcedonia

Embora o Concilio de Nicéia tenha proclamado que Jesus era plenamente Deus, a igreja ainda precisava compreender sua natureza humana. De que maneira o humano e o divino se inter-relacionavam no Filho?

A resposta viria por meio de um dos mais exaltados jogos de poder da igreja.

Conforme a igreja crescia, as principais cidades do império recebiam influência teológica, e por causa disso, seus arcebispos foram chamados patriarcas. Alexandria e Roma geralmente ficavam no mesmo lado das questões, opondo-se a Antioquia e Constantinopla. A combinação de política e teologia era algo especialmente poderoso.

A influência grega permeava os pensamentos da Escola Alexandrina, muitas pessoas de Alexandria tinham um histórico filosófico de origem grega. Teologicamente, acreditavam que Jesus fora plenamente humano, mas eles tinham a tendência de enfatizar mais o Cristo como Palavra divina – Logos – que o Jesus humano.

Quando essa questão era levada ao extremo, existia a tendência de obscurecer a humanidade de Jesus a favor de sua divindade. Apolinário, um dos principais defensores de Alexandria, lutara bravamente contra heresias como o arianismo e o maniqueísmo. Contudo, cometeu um deslize, equivocando ao afirmar que, na encarnação, o – Logosdivino substituíra a alma humana, de modo que a humanidade de Cristo fora apenas corpórea. Em 381, o Segundo Concilio Ecumênico condenou esse ensinamento.

A Escola de Antioquia apresentava a tendência de se concentrar na humanidade de Jesus, embora Jesus fosse divino, eles diziam que sua humanidade fora completa e normal.

Ao envolver-se em uma disputa sobre a veneração de Maria, Nestório, patriarca de Constantinopla, atacou a oposição de Apolinário. Para ele, a ideia de que Maria fora a “Portadora de Deus” era muito parecida com a ideia de Apolinário. Cirilo, patriarca de Alexandria, ansioso por abalar o poder de Constantinopla, acusou o patriarca de dizer que Jesus tinha duas naturezas distintas em seu corpo.

Em 431, no Terceiro Concilio Ecumênico em Éfeso, o maquinador Cirilo conseguiu que Nestório fosse deposto antes que ele e seus amigos pudessem chegar ao local das reuniões, quando os clérigos ausentes chegaram, condenaram Cirilo e seus seguidores sob a liderança de João, o patriarca de Antioquia. O imperador Teodósio, que convocara o concilio, foi pressionado e terminou por exilar Nestório.

Adicione a essa situação volátil um clérigo que levava a ênfase alexandrina às últimas consequências. Eutíquio, chefe de um mosteiro próximo a Constantinopla, ensinava uma ideia que passou a ser chamada monofisismo – de mono, um ”, e physis, natureza ” –. Esse ponto de vista sustentava que a natureza de Cristo estava perdida na divindade, “assim como uma gota d’água que cai no mar é absorvida por ele”.

O patriarca Flaviano de Constantinopla condenou Eutíquio por heresia, mas o patriarca Dióscoro, de Alexandria, o apoiou, e a  pedido de Dióscoro, Teodósio convocou outro concilio, que se reuniu em Éfeso, em 449. Esse concilio proclamou que Eutíquio não era herege, mas muitas igrejas consideraram esse concilio inválido. O papa Leão rotulou aquele encontro de “Sínodo de Ladrões” e, atualmente, ele não é considerado um concilio ecumênico válido.

Leão pediu ao imperador que convocasse outro concilio de modo que a igreja, como um todo, fosse representada. Esse concilio aconteceu na cidade de Calcedonia, próxima de Constantinopla, no ano de 451, atraindo cerca de quatrocentos bispos, frequência superior à de qualquer outro concilio já realizado até aqueles dias. Dióscoro sempre foi uma figura um tanto sinistra, e agora, nesse concilio, ele foi excomungado da igreja com resultado de suas ações no “Sínodo de Ladrões”.

Durante o Concilio de Calcedonia foi lida uma afirmação sobre a natureza de Cristo, chamada – tomo [carta dogmática] –, de autoria do papa Leão I. Os bispos incorporaram seu ensinamento à declaração de fé que foi chamada de Definição de fé de Calcedonia, Nessa Definição de fé, Cristo “reconhecidamente tem duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação […] a propriedade característica de cada natureza é preservada e se reúne para formar uma pessoa”. Essa concepção condenava as ideias de Apolinário e Eutíquio, além das posições atribuídas a Nestório.

Calcedonia foi o primeiro concilio no qual o papa exerceu papel importante. Cada vez mais o foco da batalha seria entre Roma e Constantinopla. Calcedonia foi o último concilio que tanto o Ocidente quanto o Oriente consideraram oficial, com relação à definição dos ensinamentos corretos. Esse também foi o último em que todas as regiões foram representadas e conseguiram concordar em questões fundamentais.

Embora Calcedonia não tenha resolvido o problema de como Jesus era tanto Deus quanto homem, esse concilio estabeleceu limites ao definir como incorretas certas interpretações. O concilio, ao referir-se à posição adotada por Apolinário e Eutíquio, disse: “Qualquer que tenha sido a maneira como isso ocorreu, sabemos que não aconteceu dessa maneira”.

Próximo acontecimento importante dia 14 de outubro, até lá!

Alexandre Alves, Servo
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